É uma pesca rápida, viciante, de pouca logística que proporciona belas jornadas nocturnas de ferragens rápidas, umas atrás das outras, e quase sempre com peixinho para o almoço.
Espécie muito apreciada no nosso país, é vulgar fazer-se acompanhar de cardumes de cavalas e (as tão indesejadas por muitos) bogas. Com altura da bóia ao anzol muito reduzida é frequente também capturar peixe agulha. E que alegria que dá quando um destes nos ferra o anzol, com aqueles característicos saltos para fora de água, bastante combativos e de um sabor espectacular quando fritos. Mas a espécie que se vai abordar hoje é o carapau, e a ele vamos voltar.
As duas sub-espécies mais comuns de capturar são o carapau manteiga ou branco e o negrão, sendo para mim, o primeiro de melhor sabor. Quando vejo aquele dorso com um tom suave dourado é uma festa. Não que o negrão não seja bom. Não, antes pelo contrário. Mas não me aguça tanto o paladar, não é tão saboroso.
Por toda a nossa costa é possível encontrar um bom pesqueiro para o carapau, desde que cumpra aqueles "requisitos" para uma noitada dedicada a eles. Claro que há aqueles pesqueiros preferenciais, que toda a gente conhece e acabam por ter grandes ajuntamentos... Noites quentes, em que as águas também sofrem um muito ligeiro aumento da temperatura, águas calmas e pouco vento. Pessoalmente sou adepto das noites de lua para estas jornadas.
Material: cana de 5m (ou 6 consoante o pesqueiro) de acção de ponta, bóias tipo caneta ou o mais hidrodinâmicas possível, leves (2 a 8grs e sempre o mais leve que o mar permita), fios finos (0.20 para baixo) e sem necessidade de estralhos em flúorcarbono. Anzóis nº6 ou 8 finos tipo agulha, preferencialmente prateados, nos quais se pode juntar uma missanga fluorescente para ajudar na atracção.
Iscos: pequenos beliscos de sardinha ou cavala, camarão (raramente uso por achar um gasto desnecessário), peito de frango cru.
Adicionalmente pode-se engodar o pesqueiro com alguma frequência, devendo o engodo ser á base de sardinha moída e bastante diluído afim de os fazer abeirar, e tentar reduzir que traga aquelas espécies menos nobres que muitos pescadores não gostam/pretendem capturar: bogas, cavalas e tainhas.
A montagem é simples. Bóia de correr ou fixa, com um Starlight no lugar do fixador, fio 0.14/0.16/0.18 no estralho (caso não esteja a pescar directo por ter um fio muito grosso como madre), 1 anzol que pode levar uma missanga fluorescente ou não.
Em alternativa, pode-se substituir o estralho de anzol único por um sakibi (montagem de 6 anzóis específica de pesca ao carapau, muito usada em embarcada com acessórios brilhantes dispensando o isco) de 2 ou 3 anzóis respeitando o limite da lei. Pessoalmente não sou fã desta montagem! Já em embarcada é muito fácil aquilo formar um emaranhado de linhas e peixe, que após retirado é lixo e tem de se montar um novo. Torna-se dispendioso, pouco prático, e tempo perdido de pesca efectiva. São opções.
Pode-se também usar mini casting jigs de 5, 8 ou 10grs e corricar com eles. É uma técnica muito engraçada e que dá em capturas de outras espécies, tal como cavalas, tainhas, peixe agulha e até pequenos robalos.
É uma das pescas que caracteriza a época de verão, que como tudo na vida, tem de bom e de mau. A par das boas noites de carapauzada para encher a barriga, vêm os pesqueiros á pinha, o lixo deixado nos locais e muitas vezes, as espécies indesejadas deixadas a apodrecer a céu aberto. Tudo isto junto cria um cheiro nauseabundo e de certa forma um perigo de saúde pública. Não é comum a todos, claro, e há pescadores menos respeitadores dos seus pares e da natureza o ano inteiro. Mas isto ganha contornos muito acentuados na época do carapau! Os pescadores que só pescam nesta época do ano, acabo de certa forma por comparar aos motoqueiros que só pegam na mota em dias de sol... Não têm aquele hábito, aquela comunhão e respeito para com o ambiente e tudo o que envolve aqueles momentos fugazes em que se abraça a prática, para compreenderem ou sequer pensarem nos efeitos que isso trará. Não sabem viver o momento senão quando tudo lhes é confortavelmente favorável!
Vamos mudar esse comportamento. Desfrutemos do mar e de tudo o que ele nos oferece, dando em troca nada mais e mais simples do que simplesmente o respeitar.
Bons lances
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