quinta-feira, 7 de maio de 2020

A primeira pós quarentena - spinning


O tão aguardado momento chegou, poder voltar a pescar após aquele tão difícil momento de estado de emergência que nos colocou a todos em confinamento. Preferi não ir logo na corrida inicial da primeira noite, a semana fazia prever uns dias de bom tempo e mar para ir fazer o gosto ao dedo. Optei por tentar a sorte no spinning, fazer a estreia da mais recente aquisição, Shimano nexave 5000hc. Vinis previamente escolhidos, ainda levei uma westlab macua cor FHC, por ser aquela que mais fé tenho. 
Tinha recebido convite de um companheiro mais experiente, e quando se está a dar os primeiros passos nada como uma ajuda de quem sabe. Tudo ajuda para perceber e ultrapassar os erros cometidos mais rapidamente. Por volta das 21h era a hora escolhida, o pesqueiro para mim, completamente novo. Já lhe tinha deitado o olho algumas vezes, mas até agora nunca lhe tinha pisado o areal. Era hoje! 

Chegado ao local, a primeira coisa a fazer era voltar a sentir aquele ar carregado de salinidade na cara. Que saudades, que alívio poder desfrutar novamente daquela sensação. A lua não se mostrava tímida por entre nuvens, não. Parecia um candeeiro que iluminava toda a extensão de areal, quase confundido como que a claridade ainda eram resquícios dos últimos raios de sol. O mar de vaga pequena, mas com força propicia a enchios, tão típico das marés de lua. Vazio, já a virar.
Escolhemos começar numa zona de pedra, com uma grande lage semi coberta de areia. Com algum cuidado dava para colocar as amostras sem grandes prisões, e alimentar a esperança de engatar um daqueles da pedra, tão conhecidos pela luta que dão. 

Começo com um vinil azul 20grs, uns poucos lançamentos e nada. Vou á caixa, opto por um da savage dorso branco e barriga prata com brilhantes, 30grs. Já sentia um pouco melhor sensação. Uma prisão que lá consegui recuperar o vinil. Alguns lançamentos depois sinto um peso bruto na cana. Outra vez preso pensei eu, mas não! Do nada um arranque que me começa a levar linha por ali fora, a adrenalina dispara, recolho com algumas maniveladas e pára. Pergunta o Paulo "então tens peixe ou tá preso?", e eu "vê por ti", ponteira da cana com alguns toques e pára. Novo arranque! Até a cana baixou. Aquele comportamento errático levou a desconfiar o que seria. Pára novamente e tento recolher, não consigo. O carreto revela-se demasiado fraco para o esforço que lhe é pedido. Hora de tentar trabalhar com a cana e tentar que não parta. Novo arranque, fecho o drag todo e a linha continua a sair!!!! Morreu ali a minha esperança de o pôr a seco. Passo a cana para a mão de outro companheiro, mais experiente que eu nestas lides e a trabalhar o peixe com este tipo de material, que fica a observar o comportamento. Pensamos o mesmo, que seria um bom polvo que se agarrou á pedra, e lá se tentava soltar com o seu característico esguicho que o propulsiona. Esteve nisto cerca de 10 minutos até que partiu o multi... 
Refazer nós, nova amostra e continua a procura de um exemplar que faça valer a noite e dê para o almoço de amanhã. Fui percorrendo a extensão da praia em lançamentos e recolhas, vários vinis e a rigida a banhos, mas nem sinal de vida na minha cana nem nas dos outros companheiros. Com o encher da maré veio o limo vermelho, numa simbiose quase que perfeita entre quantidade de água e de limo. Quanto mais ela enchia, mais limo nos castigava o trabalhar das amostras. Ao fim de um par de horas damos por terminada a jornada dada essa condição. Uma temperatura agradável, sem vento, água não muito fria, mas tanta claridade e depois o limo frustraram a jornada. 
Ficou um momento de regresso á muito esperado, a boa companhia e momentos de camaradagem.

Material utilizado:
Cana Ron Thompson steelhead II 20-60
Carreto Shimano nexave 5000hc
Multi Daiwa J braid 8x 0.18 com chicote kally kunan quartz 0.32
Vinis vários

Sem comentários:

Enviar um comentário