Tinha recebido convite de um companheiro mais experiente, e quando se está a dar os primeiros passos nada como uma ajuda de quem sabe. Tudo ajuda para perceber e ultrapassar os erros cometidos mais rapidamente. Por volta das 21h era a hora escolhida, o pesqueiro para mim, completamente novo. Já lhe tinha deitado o olho algumas vezes, mas até agora nunca lhe tinha pisado o areal. Era hoje!
Chegado ao local, a primeira coisa a fazer era voltar a sentir aquele ar carregado de salinidade na cara. Que saudades, que alívio poder desfrutar novamente daquela sensação. A lua não se mostrava tímida por entre nuvens, não. Parecia um candeeiro que iluminava toda a extensão de areal, quase confundido como que a claridade ainda eram resquícios dos últimos raios de sol. O mar de vaga pequena, mas com força propicia a enchios, tão típico das marés de lua. Vazio, já a virar.
Escolhemos começar numa zona de pedra, com uma grande lage semi coberta de areia. Com algum cuidado dava para colocar as amostras sem grandes prisões, e alimentar a esperança de engatar um daqueles da pedra, tão conhecidos pela luta que dão.
Começo com um vinil azul 20grs, uns poucos lançamentos e nada. Vou á caixa, opto por um da savage dorso branco e barriga prata com brilhantes, 30grs. Já sentia um pouco melhor sensação. Uma prisão que lá consegui recuperar o vinil. Alguns lançamentos depois sinto um peso bruto na cana. Outra vez preso pensei eu, mas não! Do nada um arranque que me começa a levar linha por ali fora, a adrenalina dispara, recolho com algumas maniveladas e pára. Pergunta o Paulo "então tens peixe ou tá preso?", e eu "vê por ti", ponteira da cana com alguns toques e pára. Novo arranque! Até a cana baixou. Aquele comportamento errático levou a desconfiar o que seria. Pára novamente e tento recolher, não consigo. O carreto revela-se demasiado fraco para o esforço que lhe é pedido. Hora de tentar trabalhar com a cana e tentar que não parta. Novo arranque, fecho o drag todo e a linha continua a sair!!!! Morreu ali a minha esperança de o pôr a seco. Passo a cana para a mão de outro companheiro, mais experiente que eu nestas lides e a trabalhar o peixe com este tipo de material, que fica a observar o comportamento. Pensamos o mesmo, que seria um bom polvo que se agarrou á pedra, e lá se tentava soltar com o seu característico esguicho que o propulsiona. Esteve nisto cerca de 10 minutos até que partiu o multi...
Refazer nós, nova amostra e continua a procura de um exemplar que faça valer a noite e dê para o almoço de amanhã. Fui percorrendo a extensão da praia em lançamentos e recolhas, vários vinis e a rigida a banhos, mas nem sinal de vida na minha cana nem nas dos outros companheiros. Com o encher da maré veio o limo vermelho, numa simbiose quase que perfeita entre quantidade de água e de limo. Quanto mais ela enchia, mais limo nos castigava o trabalhar das amostras. Ao fim de um par de horas damos por terminada a jornada dada essa condição. Uma temperatura agradável, sem vento, água não muito fria, mas tanta claridade e depois o limo frustraram a jornada.
Ficou um momento de regresso á muito esperado, a boa companhia e momentos de camaradagem.
Material utilizado:
Cana Ron Thompson steelhead II 20-60
Carreto Shimano nexave 5000hc
Multi Daiwa J braid 8x 0.18 com chicote kally kunan quartz 0.32
Vinis vários
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