domingo, 24 de maio de 2020

Dia de rainhas com o mano

O plano era simples. Sair de manhã cedo, pegar no mano para a sua estreia e ir em busca de um dia bem passado. Com previsões de muito vento e mar demasiado grande para investir nas zonas habituais, tínhamos uma aberta na margem sul. 
8 da manhã estávamos a pôr-nos ao caminho em direcção ao barreiro para irmos apanhar algum isco. Chegámos ainda com a maré a vazar, e em pouco tempo já tínhamos um molhinho de lingueirão fresco e alguns caranguejos para juntar às sardinhas congeladas que já trazia de casa. Era hora de partir para a jornada.

Chegada a Setúbal, toca a procurar um espaço para nós. Tudo cheio! O confinamento atrasou a época do choco, um dia bom e estava tudo ao eging. Lá conseguimos um espaço para montar as canas e toca a trabalhar. 
Uma com iscadas generosas de lombos de sardinha, outra com caranguejo inteiro a ver se alguma dourada gulosa nos brindava a jornada. Em pouco tempo tínhamos os primeiros sinais de actividade, na sardinha. Pequenos toques e de repente, pumba, uma grande cabeçada, ponteira toda vergada e com uma luta espectacular o primeiro peixe do dia. Uma rainha de bom tamanho 

Com a maré a encher a actividade ia-se fazendo sentir em intervalos pequenos, sempre na sardinha. A cana com caranguejo nem mexia. Não fossem as ocasionais rajadas de vento a fazer balançar um pouco, e seria como algum adereço da paisagem. Vou verificar a iscada e...

Fossem douradas ou pequenos alcorrazes, por diversas vezes fosse caranguejo inteiro ou lingueirão, o anzol vinha limpo ou com a iscada desfeita e de forma imperceptível. Apesar de estar com multi filamento no carreto, o estralho de 1.5m e a posição semi deitada da cana a que o local obrigava não ajudava a conseguir detectar qualquer toque que me levasse a desconfiar que lá andavam a comer de faca e garfo. 

Entretanto o mano tira uma segunda rainha, do porte da primeira. Todo animado, o bichinho da pesca ia-se entranhando e tomando conta dele. Com o aproximar do final da enchente a actividade foi cessando, sendo cada vez mais espaçados os ataques a ambos os iscos. Pelo meio ainda se perderam alguns peixes por literalmente cortarem o estralho. Embuchavam o isco de tal forma que mesmo com um gamakatsu f314 2/0 o fio ia roçando naqueles dentes até partir.
O calor apertava em força, o vento ainda que suave com rajadas fracas era quente, a ausência de uma sombra tornava a permanência ali custosa. Começámos a notar que tínhamos um belo escaldão nas zonas descobertas do corpo. Começo a pensar em ir embora, mais um ataque e ferragem. Novamente uma boa luta, e outra rainha a seco, esta mais pequena, ainda assim com tamanho suficiente para vir para casa. Sendo assim, ficamos mais um pouco. O mano não queria sair a custo nenhum, estava mesmo a desfrutar do dia ainda que com a actividade mais parada. Meia horita depois, vou para começar a arrumar as canas e eis que nova ferragem! Outra rainha de porte semelhante á última 😅 maré já cheia. 

Entre fome e calor, começamos a arrumar o material e era hora de regressar. Demos por findado o dia, com algum peixe para fazer no forno e comer em família, e a vontade de um regresso. Foi a primeira vez que capturei esta espécie, portanto desconheço se em termos gastronómicos é bom ou não, mas em questão de luta na ponta da linha vale sem dúvida. São muito combativas e proporcionam uns bons minutos de adrenalina. O caranguejo e o lingueirão foram devolvidos á água, não seriam gastom em tempo útil e não havia necessidade de matar. Só porque sim, não. Preservar e manter. 


Um dia a recordar, não tanto pelo peixe, mas pelos momentos passados com o meu irmão 👌


Material utilizado: 

Canas: Vega Yakuza 4.20 híbrida 
              Katx inspiria 4.20 híbrida
Carretos: Shimano ultegra 3500 xsd competicion com trabuco XPS longcast fluo 0.20, chicote 0.40 chinês
                 Daiwa emblem surf 35 QD type R com multi sufix 132 0.18 
Estralhos: Vega antrax 0.30
Anzóis: gamakatsu F314 nº 4 e 2/0
Isco: Sardinha congelada, caranguejo verde e lingueirão

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